Seu corpo tem fome de quê?

16 de outubro: dia mundial da alimentação

No Dia Mundial da Alimentação, descubra como a alimentação pode afetar a dor e a inflamação da endometriose

De acordo com o Ministério da Saúde, “alimentação saudável é a prática alimentar que ocorre de acordo com as necessidades de cada fase do curso da vida e com as necessidades alimentares especiais”. Mas o que isso significa para uma pessoa com endometriose? Responder à essa pergunta é um dos objetivos do livro “Fertilidade e Alimentação”, publicado em 2012. Os autores são o ginecologista Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi e a nutricionista Débora de Souza Rosa.

“O tratamento clínico da endometriose é medicamentoso e realizado somente por médico, mas a alimentação entra como terapia nutricional complementar trazendo benefícios não só para controle de dor, como para a progressão e agressividade da doença”, explica a nutricionista. Ela ainda afirma que a endometriose é uma doença estrogênio-dependente. Isso significa que os níveis desse hormônio no organismo interferem diretamente na progressão da doença. Diversos alimentos e compostos químicos presentes nos alimentos tem relação com a liberação estrogênica, então é possível controlar parte da produção excessiva do hormônio por meio de ajustes na alimentação.

“A alimentação tem sim relação com a endometriose, como o exercício físico também tem. Uma parte emocional também tem relação. Todos juntos podem aumentar a chance de endometriose nas pacientes. Geralmente a endometriose acomete pacientes muito bem sucedidas, muito ansiosas também, que tem alimentação inadequada e fazem poucos exercícios físicos. Quanto à alimentação, a grande vilã é uma substância chamada dioxina. Vem muito na carne vermelha e pode aumentar a incidência de endometriose. Alimentos inflamatórios também podem ajudar a piorar: carne vermelha, como já falei, e alimentos com farinha branca também”, diz o Dr. Cambiaghi.

Outro prática importante, de acordo com o livro, tem relação com o intestino: “um hábito intestinal normal e regular é imprescindível. A paciente que não evacua regularmente tem retenção de material fecal e aumento de toxinas, e muitas delas deprimem o sistema imunológico. Alimentos ricos em cereais e fibras ajudam a melhorar o ritmo intestinal. A dieta deve ser balanceada, dando-se preferência por vegetais sem agrotóxicos, pois estes prejudicam a imunidade”.

A nutricionista Rosa explica que toda a pesquisa para a confecção do livro foi baseada na Dieta Mediterrânea, que tem como foco o consumo de alimentos frescos e naturais. “O consumo regular de uma dieta com as mesmas características da Dieta Mediterrânea é capaz de elevar as concentrações de nutrientes importantes para o funcionamento do sistema reprodutor, mais especificamente de vitaminas do complexo B e nutrientes antioxidantes, melhorando as funções reprodutivas e atuando no controle de algumas doenças como a endometriose. Em um estudo específico realizado com mulheres portadoras da doença, a dieta foi praticada durante 5 meses. Ao final desse período, a maioria já havia apresentado redução significativa nos sintomas das cólicas menstruais, dor a penetração durante a relação sexual e dificuldade ou dor para evacuar”, conta.


Comer ou não comer: eis a questão

De acordo com Rosa, há diversos estudos que recomendam a redução ou o aumento do consumo de certos alimentos para pessoas com endometriose. Confira algumas recomendações, lembrando de sempre consultar seu médico e/ou nutricionista antes de realizar mudanças na sua dieta:

- Aumentar o consumo de fibras na dieta;
- Aumentar o consumo de óleos fontes de Ômega 3 e 9;
- Aumentar o consumo de alimentos ricos em Zinco, Cobre e Selênio e Resveratrol;
- Priorizar o consumo de alimentos orgânicos;
- Consumir adequadamente vitaminas antioxidantes (como vitaminas A, E, C e vitaminas do complexo B);
- Evitar o uso de produtos e recipientes (como plásticos) ricos em compostos químicos, como o Bisfenol A (BPA), por exemplo;
- Reduzir o consumo de gorduras animais.

Confira alguns exemplos de alimentos que podem ajudar a reduzir (😀) ou elevar (🙁) a produção de estrogênio no organismo:

Para saber mais sobre o assunto, acesse o livro ou o site Dieta da Fertilidade.


Por que falar sobre alimentação e endometriose?

“A alimentação é responsável por muitas coisas na vida. Existe uma frase clássica: ‘você é aquilo que você come’. É uma frase que faz muito sentido. Pessoas que tem uma boa alimentação têm uma saúde melhor. Pessoas que comem demais carboidratos, são mais obesas, têm uma saúde pior. A alimentação tem, de modo geral, a ver com a fertilidade, tem relação com aborto, tem relação com a endometriose, tem relação com ovário policístico… Saber de tudo isso pode ajudar a mulher a ter uma vida muito mais saudável e ter maior chance de conseguir ter um bebê”, diz o ginecologista.

De acordo com os especialistas, a sociedade valoriza a alimentação quando falamos no tratamento de doenças crônicas, como a endometriose. ”Hoje não há mais dúvidas quanto a importância da alimentação na saúde humana. Tenho a sorte de trabalhar com médicos que reconhecem e recomendam boas práticas alimentares como parte fundamental no tratamento de doenças”, afirma a nutricionista Rosa.

“Eu acho que a alimentação tem sido cada vez mais valorizada. Haja vista o número de nutrólogos que temos no mercado se preocupando com detalhes da alimentação. A base da saúde é a alimentação. Todo mundo sabe que a prevenção das doenças, como câncer e infarto, é a qualidade de vida. Então, é algo bastante repetitivo: cuide da sua saúde, faça exercícios físicos, cuide do seu estresse e cuide da sua alimentação”, finaliza Cambiaghi.


Reportagem apurada e redigida por Giovanna Tedeschi, jornalista e Voluntária de Comunicação da Amo Acalentar.