Política De Prevenção Diagnóstico e Tratamento Da Endometriose PL 468 de 22

A endometriose é uma afecção que merece toda a atenção por parte dos médicos clínicos e ginecologistas, cujo objetivo é cuidar da saúde e oferecer qualidade de vida às mulheres.

PROJETO DE LEI No 468, DE 2022

Institui no âmbito do Estado de São Paulo a Política de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Doença de Endometriose.

Sala das Sessões, em 10/8/2022.

Patricia Bezerra

PROJETO DE LEI No 468, DE 2022

Institui no âmbito do Estado de São Paulo a Política de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Doença de Endometriose.

Veja PL Abaixo. Muitas bênçãos vão chegar para você, para uma amiga, uma prima, uma irmã, uma esposa, uma filha, por gerações.

Sim. Mais uma conquista, nossa luta é constante, cada passo dado rumo a melhoria da vida da mulher, me faz ter esperança em dias melhores para milhões de mulheres que estão sofrendo.

Sentir cólicas de parturiente durante a menstruação, cólicas que chegam fazer você desmaiar, e te fazem pedir para morrer, algumas sentem dores diárias, outras sentem dores e sangram por anos a fio sem cessar, e por isso o índice de morte por overdose, tentando tirar a dor com medicamentos é alto, os prejuízos causados pela overdose, quando não morrem, são indescritíveis, parte delas tentam o suicídio e não conseguem agravando a situação, e há as que conseguem êxito e acabam morrendo, geralmente após procurar ajuda, onde deveriam serem assistidas.

Detalhe, o SUS não nos é de graça, nos custa caro, e muito caro. Dizer para estas mulheres procurarem um médico. Que médico?, onde?, se esta sofrendo hoje, vai conseguir medico para daqui 6 meses, 2 anos, 4 anos?, Isto quando não volta para o inicio da fila, o que é comum. Realmente o SUS é maravilhoso, quando tem com que, e como trabalhar, a educação médica também é preciso com urgência, é fundamental .

Lutamos contra a violência institucional, o machismo, o racismo, o egocentrismo exacerbado, a dominação, a ignorância sobre a endometriose dos profissionais de saúde que são despreparados, sem conhecimento cometem atrocidades, por isso é tão importante levar este conhecimento do que acontece quando as pacientes saem da sala do médico. Temos as que, além da dor e do sofrimento, ficam inférteis, não podem gerar seus filhos, trazendo uma dor indescritível na alma, além do sofrimento físico, a frustração pelos abortos, pelas tentativas de fertilização fracassadas, estendendo esta dor da infertilidade e a dor da endometriose, à família, trazendo depois disso, graves problemas financeiros, porque tratamentos de fertilização são caros, isso sem falar nos casamentos desfeitos, no abandono da mulher, e muitas em estado de vulnerabilidade, e pior, muito pior, levam tudo que podem e não pagam pensão. Há as que são mutiladas, perdem seus órgão reprodutores, e outros órgãos, as que apesar de tudo ainda usam bolsa de colostomia, muitas passam a usar sondas urinárias. Geralmente estas mulheres se veem sozinhas, abandonadas e em situação financeira grave, porque a endometriose não é considerada uma doença grave, se a endometriose não é uma doença grave, então o que é?. Porque não ouvem a voz dos nossos especialistas, inclusive Dr. Maurício Abrão entre outros, costumam dizer que a endometriose é mais grave que o câncer e o HIV, pelo comportamento maligno da doença. não menosprezando nenhum sofrimento e ou dor, mas explicando que com câncer, o HIV, ou fica curado, ou morre. Não poucos casos tive em família, entre os demais tive dois caso recentes, perdi meu marido em 4 meses, começou a ter sangue na urina, foi fazer exames, descobriu um câncer de bexiga e a partir dali foi um grande sofrimento. Em 4 meses foram 11 cirurgias, e se foi, infelizmente. Recentemente vivi um grande e intenso bigsister com minha irmã, sendo que os últimos dois meses foram muito intensos, moradora do Paraná, ela ficou na casa onde recebemos todo suporte do sus, incrível os médicos em casa , 3 vezes ao dia e tudo que ela precisava, como cilindros de oxigênio, trocados duas vezes ao dia, e por ultimo eram 3 cilindros ao dia, aqueles cilindros grandes usados em hospitais, cama hospitalar, um atendimento completo com toda equipe médica, inclusive apoio à família. Cuidamos como se cuida um bebe, ela merecia muito. Mas descansou, parou de sofrer. Já a endometriose mantem a portadora em estado grave, como se tivesse em um prédio em chamas, sentindo-se queimar, não tem para onde pular, também não morre. E são advindos disso o abandono, por todos, inclusive familiares e especificamente cônjuges, a família fica doente, a pobreza também acaba chegando, em parte culpa do INSS, com peritos que nada sabem sobre a gravidade da doença, negam o direito desta mulher, a fome esta se somando a dor em milhões de casos, não poucos pedidos desesperados recebemos aqui. O grito por socorro é grande. Passamos por isso aqui, todos os dias.

Temos que formar uma unidade endoirmãs, #somosuma, um cordão de três dobras não se quebra com facilidade, diz a palavra de Deus, imagina com um milhão de dobras, imaginem a força. E aliás só um milhão?, podemos ser 5, 10, 15 milhões, se quisermos. Apenas contando com dois familiares de cada portadora, teremos mais de 30 milhões de pessoas envolvidas, fora nossos profissionais de saúde, amigos que ainda nos restam. Vem se juntar a nós, entre em contato pelo whatsapp 11 96472 06 56. Seja uma embaixadora da causa, seja uma voluntária com o que sabe fazer, o mais simples que sabe fazer nos interessa, porque quem se doa e doa, é luz, é fonte de amor, e este é o diploma que pedimos aqui, o amor. Faça uma doação, seja o valor que puder, há muita dor esperando, quem tem fome, tem pressa, mas quem tem dor, tem urgência, e eu que sempre disse que dor não pode esperar. Hoje a fila esta grande, por falta de recursos. Há muito choro que você pode calar com sua doação. Seja um comprimido por mês para tirar a dor. Pegue a nossa bandeira e vamos atravessar fronteiras e levar esperança e vida. E dor não pode esperar, aja agora, não importa com quanto. È, com o que você pode partilhar da sua mesa com alguém, não deixe-as esperando, se pergunte, e se fosse eu?.

Este Projeto de Lei, é uma grande esperança que milhões de mulheres, terão portas abertas para sempre. Ter dignidade e respeito, sem violência institucional, eu quero agradecer a todos os parlamentares que nos ouvem, temos batido nas portas em busca que um parlamentar que nos ouça, confesso a vocês, que, foram e são muitas batalhas para que nos enxerguem, que nos escutem, a maioria deles não ouvem seu choro e gemido, o gemido e grande sofrimento de milhões de mulheres, chamamos a endometriose de devoradora, tal estrago que ela faz na vida da mulher. Graças a Deus ainda tem quem para nos ouvir, precisamos deles para que hajam politicas públicas em prol da mulher com endometriose e ou adenomiose, infertilidade, dor. Obrigada a todos os parlamentas que tem nos ouvido, vestido a camisa de verdade e estão lutando por nós, nossa gratidão ao Roberto de Lucena, Deputado Federal São Paulo, Patrícia Bezerra deputada estadual São Paulo, a deputada federal Daniela Do Waguinho do Rio De Janeiro, com a Erika Kokay Federal Brasília, a nossa querida Audrey pela baixada santista com as endomulheres, tomara as mulheres de lá se lembrem de tudo que ela tem feito, Eduardo Tuma vereador de São Paulo, e tantos outros hoje, pelo Brasil, como do RS, PR, MT...

Tomara Deus, que depois de tanto tempo lutando, tantos, anos, e ninguém nos escutava, bendito o dia, em 2010 que o deputado Roberto de Lucena nos ouviu, através de um pedido de uma conhecida dele, bendita seja esta mulher. Foram anos de esforços e hoje temos uma lei sancionada pelo presidente. Que eles continuem sendo girassóis, virando a face para nós e em alerta ouvindo nosso grito. Somente #juntosemumasóvoz podemos vencer, e vamos vencer, pois vamos mantê-los lá, porque trabalham em prol do povo, principalmente pela vida da mulher, por nossas vidas, cada vida importa, cada ação é fundamental para uma filha, uma esposa, uma mãe, uma mulher que geme de dor, dias e noite, para uma família, que pode até ser a sua. Se cada um entender a importância disso, conquistaremos direitos para nós e para as próximas gerações. Olhem as pastas e projetos, olhem o trabalho antes de falar qualquer coisa, temos que diferenciar os que trabalham de verdade, Deus nos manda honrar quem tem honra. Ter gratidão e não sermos hipócritas e ingratos conosco mesmos, senão nos sabotamos, damos tiro no próprio pé, todas sofremos com a consequência da falta de união, por falta de buscarmos juntas o melhor para todas nós, quando votamos em quem nada fez, e nada fará por nós, promessas! não, não convencem mais, de jeito nenhum, temos que ver quem põe a mão na massa de verdade, chega que nos usarem com falsas promessas, independente de partido, de etnia, de grupos, de gênero, de mim e de você, a causa é maior, pois falamos de milhões de vidas, falamos de nós, dos jovens e das crianças, falamos do futuro, do legado que deixaremos.

Mesmo que você tenha alcançado qualidade de vida, remissão da doença, ajude suas endoirmãs que estão no caminho em caso grave, você, o dia que quiser ver tudo que acontece com nossas endoirmãs, esta convidado (a) a passar uma semana, vendo e acompanhando através da nossa central. Principalmente você que alcança qualidade de vida, por sua endometriose não ser tão agressiva, e digo isso, porque você é única, cada organismo é único, e gravidade também depende do tempo, quantas com o tempo se veem graves, " Sinceramente desejo que não. Mas é o que vejo continuamente, Isto não depende do homem, não importa o que ele lhe prometa, por isso peço não esqueça sua endoirmã, nos ajude a lutar, fale com seus familiares e amigos, precisamos de todos nesta luta, temos que vencer, temos que continuar a obra, tomara Deus, que voltem, para continuar esta tão árdua batalha, e que possamos cantar o hino da vitória. Sem hipocrisia, sem falácias, trabalhamos simplesmente com a realidade. Sei da luta árdua que temos travado para cuidar de cada vida que aqui chega, fazemos e lutamos com muitos voluntários que fazem a AMO Acalentar andar, que nos ajudam a salvar vidas e ajudar a viver.

Somos quase uma centena de voluntários. Gratidão a cada um em especial.

Nos ajude, precisamos também de sua doação, pois há uma vida esperando pelo seu socorro, para poder ir ao médico, para ter um medicamento, para um exame. Choro muitos dias, por não podermos fazer mais. O que fazemos ainda é muito pouco. Há um ditado que diz, e achei em Prov.17 ; "Quem dá aos pobres, empresta a Deus, o qual virá a pagar com juros largamente vantajosos". Vista a camisa, que esta causa seja sua causa, e só será sua causa se você realmente contribuir de alguma forma para engrossar o cordão e nos ajudar a continuar, que nesta batalha estejam conosco nossas mulheres valentes e guerreiras. Você é o ser mais potente da terra, não deixe que ninguém te desmereça, que ninguém te trate como débil, como louca, ninguém, principalmente médicos despreparados e ignorantes sobre a endometriose, não importa quem seja. Até porque, só você sabe que esta vencendo o inferno da dor todos os dias, o que, muitos falam sem conhecimento de causa, e podem não ter sua resiliência, sua resistência e sabedoria para viver quando tudo se apresenta contra. Você é o ser mais forte da terra, muitas vivem no sobrenatural, não vivem, sobrevivem, apesar dos contras. O que os outros pensam sobre você é um problema deles. Até porque vão dar conta do que falam e como falam, todos nós vamos. Principalmente as que estão nesta mesma estrada da endometriose, porque a maioria sabe o que é dor, e esquecem de serem gratas por se livrarem do inferno em vida, por estarem abençoadas, e julgam sem dó nem piedade sua endoirmã, já peguei muitas que, com o tempo voltaram e graves. Cada pessoa tem sua sentença, não esqueçam os desígnios de Deus. Não zombem, nem menosprezem sua endoirmã, não há receita, não há cirurgia, não há nada que faça com que você seja curada, há, o órgão afetado, o avanço da doença em nervos, em intestinos e assim por diante, há sua irmã, que usa bolsa de colostomia, sonda, outras que são completamente assintomáticas, as que usam implante e ou DIU Mirena, e tem boa qualidade de vida, outras não resolvem, com o mesmo tratamento, são comprometimentos e organismos completamente diferentes uns dos outros, ou melhor, onde ela afetou e com que agressividade. Vejo todos os dias pessoas em grande sofrimento por julgamentos alheios e familiares, porque a família muitas vezes vai agir como carrasco desta endoirmã dentro de sua casa, onde deveria ter o melhor tratamento. E sim senhores, estas mulheres não querem chamar a atenção, elas são verdadeiras vitimas de uma endometriose cruel e de comportamento maligno, são mulheres muito valentes, fortes, exigentes, e de todas as classes sociais, que em grande maioria, vivem enclausuradas pela dor e a incapacidade, até para tomar um banho. Criam uma bolha de proteção e se isolam para se protegeram, porque são impiedosamente julgadas, principalmente no seu local de trabalho, onde chegam a chamar médicas, assistentes sociais, advogadas, não importa a profissão, chamam-nas de tantos nomes, chegando até a vagabunda. A poucos dias, uma mulher valente que se encontra em total incapacidade pela dor dilacerante, em um departamento de diretoria inclusive, foi chamada por um juiz de vagabunda. Ou seja, quanto mais alta a função, maior a nossa decepção. Sem falar, que elas não aparecem em lugar nenhum, devido ao julgamento social, e as portas fechadas no mercado de trabalho, a sociedade é implacável, o preconceito é velado. Mulheres que podem produzir com excelência, principalmente no mercado digital em home office. Estamos buscando empresas que possam dar oportunidades, e com horas livres, para que possam trabalhar na hora que conseguem se sentar. Fome e dor não combinam. O pão de cada dia desta mulher e seus filhos em caso de ter, tem que ser garantido. Nosso país peca e muito, abandonando estas mulheres a beira do caminho. Esta luta dos nossos parlamentares, tem que continuar, não cochilem, escolham com sabedoria, vejam quem realmente se importa com você, e se não der para nós algum beneficio, como no meu caso, da para filhos, netos, sobrinhos, jovens, crianças, a próxima geração serão desestigmatizadas e atendidas com excelência, porque o Brasil tem esta capacidade, basta usar. Vou parar por aqui, mas digo, quem puder ajudar, ajude, com o mínimo que for, seja compartilhando, ajudando com cestas básicas, ajudando para que possamos enviar medicamentos, que inclusive este departamento esta parado por falta de recursos, não temos ajuda do governo nem de nenhuma empresa. O que nos faz ainda continuar, em primeiro lugar Deus. e nossos valorosos voluntários, que nos ajudam a cuidar de muitas vidas, desde voluntários administrativos, como médicos especialistas , psicólogos, fisioterapeutas...

Nos ajudem a continuar.

Eu amo você em Cristo. Temos nossa equipe que se chama batalhão de orações, que nos sustentam, em meditações e orações, sabemos que a ciência comprovou a eficácia de meditarmos e oramos. Faça parte do nosso livro de orações. #juntasemumasóvoz. Envie seu pedido para contato@acalentar.org.br

Por Maria Helena Nogueira.

Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.

Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante.

Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará?

E, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa.

Ecles 4:9-12

Arquivo PL na integra a seguir:

PROJETO DE LEI No 468, DE 2022

Institui no âmbito do Estado de São Paulo a Política de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Doença de Endometriose.

A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:

Artigo 1o Esta Lei institui no âmbito do Estado de São Paulo a Política de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Doença de Endometriose, com o objetivo de assegurar e promover direitos de saúde e sociais - proteção e cuidado as meninas e mulheres, colocando-as em condições de igualdade com as demais.

Artigo 2o A Política de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Doença de Endometriose, dar-se-á pela Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo por meio do Sistema Único de Saúde - SUS, de acordo com protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde - Secretaria de Atenção à Saúde.

§ 1o - Na execução da Política Pública a que se refere o caput deste artigo o Poder Executivo deverá fazer avaliações médicas periódicas, realização de exames clínicos e laboratoriais, assim como campanhas anuais de orientação, prevenção, diagnóstico e tratamento.

§ 2o O Poder Executivo poderá estabelecer parceria e cooperação técnica com a rede de saúde privada ou com outras entidades e ou Organizações Sociais para a realização de exames e afins.

Artigo 3o A Política de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Doença de Endometriose compreende as seguintes ações, dentre outras:

I - execução de campanhas de divulgação, tendo como principais temas:

a) elucidação sobre as características da doença e seus sintomas;

b) precauções a serem tomadas pelos pacientes da doença;

c) orientação sobre tratamento médico adequado;

d) orientação e suporte às famílias dos pacientes;

e) divulgação nas escolas para alunos e professores, garantindo o cuidado com os pacientes em idade escolar e impedindo a prática de bullying (ou bulimento);

f) divulgação em eventos públicos, congressos, seminários, palestras e quaisquer outros eventos médicos organizados pelo governo estadual;

II - promover a conscientização e a orientação de sinais de alerta e informações sobre a Endometriose, em várias modalidades de difusão de conhecimento à população, em especial, as regiões mais vulneráveis do Estado de São Paulo;

III - estimular hábitos de vida relacionados à promoção de saúde e cuidados com a Doença de Endometriose;

IV - criação de programas de atendimento na Assistência Médica Ambulatorial e ou Centros de Saúde para atendimento especializado da patologia, com profissionais da área de ginecologia/obstetrícia e equipe multidisciplinar formada, em especial, pela área de psicologia, enfermagem, serviço social e terapia ocupacional, e demais especialistas para os cuidados da pessoa com Endometriose;

V - campanhas, confecção e veiculação de cartazes, cartilhas, panfletos, e plataforma digital vinculado ao Poder Público Estadual sobre as características da moléstia, prognóstico, sintomas e tratamento;

VI - tratamento médico adequado à pessoa com Endometriose;

VII - instituir programas de prognóstico e tratamento da Endometriose; e

VIII - criação de Centros de Referência de Tratamento da Doença de Endometriose.

Artigo 4o A Política de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Doença de Endometriose deverá contemplar o treinamento e/ou atualização periódica dos profissionais da área de ginecologia e obstetrícia, e demais profissionais, quanto ao Protocolo Clínico e as Diretrizes Terapêuticas (PDCT) da Endometriose e das boas práticas na relação profissionais de saúde e de programa sociais com pacientes de Endometriose.

Artigo 5o O Poder Executivo garantirá, visando a melhoria de sua gestão pública, a geração de dados para o monitoramento e elaboração de indicadores que aprimorem as políticas públicas propostas nesta lei, tomando entre outras medidas:

a) implantação de sistema de informação integrado com os hospitais públicos, centros de saúde, ambulatórios e entidades particulares de saúde, visando à obtenção e consolidação de dados epidemiológicos sobre a população atingida e à contribuição para o desenvolvimento de pesquisas cientificas sobre a doença;

b) detecção do índice de incidência da moléstia nos municípios;

c) instituição de parcerias e convênios entre órgãos públicos e entidades da sociedade civil, a fim de produzir trabalhos conjuntos sobre a doença.

Parágrafo único. As ações referidas no caput deste artigo serão desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Saúde do Estado de São Paulo, que poderá firmar parcerias e ou convênios com entidades e ou Organizações Sociais.

Artigo 6o O Poder Público definirá políticas e diretrizes em relação aos recursos de gestão humana para aumentar a habilidade dos servidores e ou funcionários, respeitadas as instâncias hierárquicas, no trato, na adequação de rotinas e atribuições, por consequência de acometimento da doença, visando:

a) à redução do risco da doença e de outros agravos;

b) o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação;

c) sem prejuízo para realização do trabalho de modo a alcançar objetivos da administração pública direta e indireta.

Artigo 7o O Poder Executivo regulamentará esta lei no prazo de 90 (noventa) dias, a contar da data de sua publicação.

Artigo 8o As despesas decorrentes da execução desta lei correrão por conta das dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.

Artigo 9o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.


JUSTIFICATIVA

A Constituição Federal de 1988 tem como fundamento a redução das desigualdades e a promoção da não discriminação tendo, nesse contexto, a mulher como pessoa humana de direitos com a possibilidade de ser titular de políticas públicas que visem, afirmativamente, garantir que sua condição de mulher lhe torne socialmente economicamente fortalecida.

Por esta razão que, entre todos os direitos coletivos e individuais, a Constituição Federal estabelece: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, conforme o disposto no artigo 196.

No que tange a proteção e ao direito da mulher, deve ser garantido acesso a tratamento de saúde, fundamentalmente quando se trata de demanda típica de sua condição fisiológica.

Assim, a presente proposta visa dar visibilidade a uma das doenças crônicas típicas do organismo feminino, que segundo dados médicos no Brasil, afeta muitas mulheres em nosso país, bem como, a consignação de uma Política Pública que priorize a Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Doença de Endometriose.

A endometriose é uma doença ginecológica definida pelo desenvolvimento e crescimento de estroma e glândulas endometriais fora da cavidade uterina, o que resulta numa reação inflamatória crônica. Diversas teorias sobre a patogênese da endometriose apontam para um processo multicausal, envolvendo fatores genéticos, anormalidades imunológicas e disfunção endometrial.

A condição é encontrada principalmente em mulheres em idade reprodutiva, de todos os grupos étnicos e sociais.

A doença é responsável por 40% dos casos de infertilidade no país, mas apenas um terço de brasileiras associa a endometriose à dificuldade de engravidar, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva. O levantamento, feito com cinco mil mulheres com mais de 18 anos no país, revelou ainda que 88% não sabem como tratar o problema e que 55% não sabem sequer o que é a doença.

No Brasil, cerca de 06 milhões de mulheres têm endometriose. O diagnóstico, no entanto, costuma ocorrer por volta dos 30 anos, por ser uma doença que apresenta diferentes sintomas ou até assintomática. É importante destacar que a doença acomete mulheres a partir da primeira menstruação e pode se estender até a última.

Infelizmente, o diagnóstico não costuma ser tão rápido por falta de informação e acesso aos serviços de saúde, o que se torna um problema para as mulheres. As pacientes apresentam diminuição da qualidade de vida e redução de suas atividades, gerando problemas psicossociais, frustração e isolamento. Há também um impacto causado pelas perdas de horas de trabalho, absenteísmo etc.

O tratamento para a endometriose inclui medicações e, em alguns casos, um processo cirúrgico, que tem como objetivo aliviar as dores fortes, impedir a evolução da doença e tentar restabelecer a fertilidade. O método mais indicado dependerá da extensão da doença, assim como da idade da paciente e de seus planos reprodutivos.

Apenas um médico pode indicar o melhor tratamento para cada caso.

A endometriose é uma afecção que merece toda a atenção por parte dos médicos clínicos e ginecologistas, cujo objetivo é cuidar da saúde e oferecer qualidade de vida às mulheres.

Em 2016 o Ministério da Saúde publicou a Portaria no 879, de 12 de julho, que aprovou o Protocolo Clínico e as Diretrizes Terapêuticas (PDCT) da Endometriose, porém muitas mulheres não têm tido o devido acesso ao correto tratamento da doença por meio do Sistema Único de Saúde - SUS. A espera para o início dos procedimentos terapêuticos pode ser longa e ultrapassar anos, pois existem poucos serviços de atendimento multidisciplinar para o tratamento da endometriose profunda.

No caso da endometriose, avançando para um quadro agravado, acaba por afetar outras regiões do corpo feminino, produzindo uma condição de precariedade em sua saúde que prescinde de atenção e destaque, como medida de tratamento a ser prontamente garantido às mulheres.

O desenvolvimento da doença gera, portanto, não só precariedade a saúde da mulher, como também a impossibilidade de desenvolvimento da maternidade, do trabalho e das relações familiares e sociais de relevância.

Certa de que, nesta Casa Legislativa, tramitam projetos de lei que visam criar dias de visibilidade da doença crônica - endometriose, para incluir o dia da conscientização da endometriose, a semana de conscientização e o mês da conscientização da endometriose, entendemos que é fundamental que sejam garantidos direitos a prevenção, diagnóstico e tratamento a todas as mulheres que sofram desta ou de outras doenças crônicas do sistema reprodutor feminino.

Essa propositura contou com a contribuição valorosa de integrantes da Associação Ministério Nacional e Universal de Endometriose - AMO Acalentar, por meio de dados estatísticos, conceitos relacionados a enfermidade, e também, com depoimentos de mulheres acometidas pela endometriose.

Diante do exposto, pondero aos caríssimos Deputados para que busquemos aprovar essa iniciativa de atenção à saúde da mulher e da família no Estado de São Paulo, solicitando apoio para a aprovação da presente propositura.

É fundamental que sejam garantidos direitos a prevenção, diagnóstico e tratamento a todas as mulheres que sofram desta ou de outras doenças crônicas do sistema reprodutor feminino. #juntasemumasóvoz

Sala das Sessões, em 10/8/2022.

Patricia Bezerra