O impacto da obesidade em laparoscopia para a endometriose

O único impacto negativo da obesidade na laparoscopia para a endometriose está no tempo de operação.

Embora o índice de massa corporal e o desenvolvimento da endometriose tenham relação significativamente inversa, casos de obesidade são comuns em pacientes com endometriose.

Pacientes obesas com endometriose devem estar informadas sobre a segurança e a viabilidade da laparoscopia.

Foi feita uma análise retrospectiva dos dados coletados em mulheres que receberam remoção laparoscópica por causa de lesões endometrióticas entre os anos de 2012 e 2018.

O estudo dividiu dois grupos baseados no índice de massas corporal das pacientes. O primeiro grupo era de obesas e o segundo de não obesas.

Todos os procedimentos cirúrgicos foram realizados por uma equipe experiente em endometriose e o diagnóstico foi confirmado histopatologicamente.

As pacientes obesas eram mais velhas e tinham taxas maiores de estágio rASRM – do inglês Revised American Society for Reproductive Medicine – Padrão internacional de classificação da endometriose.

A adesiólise e a cirurgia anexial foram realizadas com mais frequência no grupo obeso, mas os procedimentos urológicos-intestinais foram menos frequentes.

O desenho retrospectivo e ferramentas de estudo envolveram pacientes de um único centro de referência e podem ser considerados como uma limitação.

No entanto, esse estudo é o primeiro a investigar o impacto do índice de massa corporal na segurança e viabilidade da laparoscopia para endometriose.

A qualidade de vida das mulheres afetadas com endometriose depende dos sintomas e sinais da doença, tais como disminorréia, dispaurenia, dor pélvica crônica e infertilidade. A endometriose geralmente atinge ovários, fossa ovariana, ligamento uterosacral, e o fundo de saco posterior.

Embora alguns sintomas associados à endometriose possam ser tratados com cuidados médicos, a cirurgia permanece como padrão para diagnóstico e tratamento.

A laparoscopia é aceita como a melhor opção pela tecnologia utilizada e habilidades cirúrgicas aprimoradas. A obesidade é uma grande preocupação nesse procedimento. Algumas pacientes com endometriose verificadas no estudo eram obesas, embora isso não seja muito frequente.

Um grupo de cirurgiões da Itália e do Reino Unido, Raimondo et al., publicou um estudo recente chamado "viabilidade e segurança da abordagem laparoscópica em pacientes obesos com endometriose: uma análise de regressão multivariável" na revista "Archives of Gynecology and Obstetrics" .

Os autores desse estudo investigaram o impacto do índice de massa corporal na segurança e viabilidade da laparoscopia em pacientes com endometriose. As características demográficas, clínicas e cirúrgicas dos pacientes foram comparadas entre os grupos divididos com base no índice de massa corporal. O grupo 1 incluiu 91 pacientes obesas, o que representou (7,4%), enquanto o grupo 2 incluiu 1139 pacientes não obesas (92,6%). A conversão laparotômica, as taxas de complicações, o tempo médio de internação e os resultados perioperatórios não mostraram diferença significativa entre os dois grupos.

Entretanto, após alguns ajustes, verificou-se que as mulheres obesas têm maior tempo operatório quando comparadas às não obesas.

"A obesidade parece influenciar no tempo de cirurgia da laparoscopia, sem aumento significativo da taxa de complicações e de conversão da laparotomia", disseram os autores.

Artigo originalmente publicado no Site Endonews e livremente traduzido e adaptado por Maira Cruz, voluntária da Amo Acalentar. Artigo editado por Vanessa Souza, voluntária de comunicação da Amo Acalentar e pós graduanda em Comunicação Institucional.