Nanopartículas e endometriose

A endometriose é uma doença avassaladora. Acompanhada de dor, com o crescimento de tecido endometrial em lugares que não seja o útero.


A dor é um dos principais sintomas que prejudicam a qualidade de vida das pacientes.


Para a dor, os tratamentos consistem em analgésicos que tentam controlar o sintoma. Mas que quase sempre não surtem efeito. Ou, pior, não melhoram a qualidade de vida das pacientes.


A ciência busca encontrar novas formas de tratamento


Diversos estudos conduzidos nos últimos anos, tentam encontrar outras formas de tratamento.


Uma preocupação para a ciência é um tratamento que melhore a qualidade de vida. E essa melhora vai existir, se houver um tratamento que controle a dor.


A dor é tão grande, que incapacita as pacientes de executarem tarefas do dia a dia, e as deixa imobilizadas em uma cama.


Quando pensamos em dores ou cólicas, sabemos que o calor ajuda a aliviar os sintomas.


A aplicação de calor local ajuda a relaxar a tensão dos músculos, reduzindo a dor e os espasmos musculares.


O calor, também, melhora a circulação local, eliminando o sangue e fluídos acumulados. Em outras palavras, o calor ajuda na circulação. E como resultado, a dor diminui.


Nanotecnologia abrindo portas


Um estudo, recém-saído do laboratório, investigou a eficácia do calor, mas em nanopartículas magnéticas.


Publicado no periódico Small, o estudo foi realizado em um modelo animal. As nanopartículas de óxido de ferro, injetadas na veia, funcionam como um agente de contraste. Então, essas nanopartículas acumulam-se nas lesões, e facilita a visualização por ressonância magnética.


Ao submeter essas nanopartículas em um campo magnético, sua temperatura aumenta. Atingindo um valor suficiente para remover as lesões por calor. Lembrando que isso é um processo não invasivo.


Hipertermia magnética (nome do método) não era uma alternativa para tratamento. Pois era necessário fazer a aplicação das nanopartículas diretamente na lesão. Um método não preciso para endometriose.


Um pequeno ajuste na técnica


Os pesquisadores ajustaram essas nanopartículas com um peptídeo. Um pequeno "pedaço" de uma proteína que tem como alvo um receptor celular presente nas células da endometriose.


As nanopartículas, também, eliminaram as células doentes, após uma sessão de hipertermia magnética.


Esses resultados foram observados em estudos com animais.


Para levar consigo


Esse estudo mostrou dois pontos importantes:


1. A técnica de hipertermia magnética pode ser uma nova forma de tratamento. Mas precisa de novos estudos para chegar às pacientes.

2. As nanopartículas funcionam como contrastes, que podem ajudar os médicos a identificar as lesões.

3. A ciência busca encontrar novas formas de terapia, com o propósito de melhorar a vida das pacientes.


Uma pequena esperança surgindo para as nossas pacientes.


Artigo escrito por Lavínia Romera

Fonte: Park, Y., Demessie, A. A., Luo, A., Taratula, O. R., Moses, A. S., Do, P., Campos, L., Jahangiri, Y., Wyatt, C. R., Albarqi, H. A., Farsad, K., Slayden, O. D., Taratula, O., Targeted Nanoparticles with High Heating Efficiency for the Treatment of Endometriosis with Systemically Delivered Magnetic Hyperthermia. Small 2022, 2107808. https://doi.org/10.1002/smll.202107808.Jo, J., Lee, S.H. Heat therapy for primary dysmenorrhea: A systematic review and meta-analysis of its effects on pain relief and quality of life. Sci Rep 8, 16252 (2018). https://doi.org/10.1038/s41598-018-34303-z.Imagem: Unsplash por Lina Trochez.